Uma escola
- Que te parece que estamos a construir? – perguntou o pai de Nya a sorrir.
- Uma casa? – arriscou Nya – Ou um celeiro?
O pai abanou a cabeça.
- Uma coisa melhor – respondeu – Uma escola.
Nya abriu muito os olhos. A escola mais próxima ficava a meio dia de caminho da casa deles. Nya sabia, porque Dep quisera ir para lá, mas era demasiado longe.
- Uma escola? – repetiu.
- Sim – retorquiu o pai – Com o poço, já ninguém precisa de ir à lagoa. Por isso, todas as crianças poderão ir à escola.
Nya fitou o pai. Abriu a boca, mas não pronunciou nenhuma palavra. Quando, por fim, foi capaz de falar, saiu-lhe num sussurro.
- Todas as crianças, pai? As raparigas também?
O sorriso do pai alargou-se.
- Sim, Nya. As raparigas também – disse. – Agora vai buscar água para nós. – E regressou à sua tarefa a ceifar a erva alta.
Nya pegou na vasilha de plástico. Tinha a sensação de estar a voar.
Uma escola! Ia aprender a ler e a escrever.
em "Um Longo Caminho para a Água", de Linda Sue Park, pág. 91






















