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A wonderful day

A wonderful day

31
Jul22

Lições de Química

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(imagem retirada daqui)

Elizabeth Zott não é uma mulher comum. Elizabeth Zott é uma mulher à frente do seu tempo!

Lições de Química conta-nos a história de Elizabeth Zott, licenciada em Química e uma das melhores alunas do seu curso, ao longo dos anos 50, início dos anos 60. Elizabeth trabalha no Instituto de Pesquisa Hastings, numa pequena cidade do sul da Califórnia, onde irá conhecer e apaixonar-se por Calvin Evans.

No entanto, a sua vida sofre uma reviravolta e Elizabeth, mãe solteira, tem de encontrar forma de sobreviver e de criar a filha Madeline. Elizabeth, em mais uma reviravolta da vida e insatisfeita com o seu destino, torna-se uma estrela da televisão e apresenta de forma muito peculiar o programa de culinária Jantar às Seis.

Elizabeth Zott é uma mulher determinada, resiliente, consciente das suas capacidades e tem muita dificuldade em integrar-se numa sociedade em que as mulheres são consideradas inferiores. Através do seu programa de televisão incentiva as mulheres a procurarem e afirmarem o seu papel na sociedade.

“Apesar do que Elizabeth Zott pode dizer, Jantar às Seis, não é apenas uma introdução à química, escreveu ele nesse dia, no avião. É uma lição de vida de trinta minutos, cinco dias por semana. E não uma lição sobre quem somos ou aquilo de que somos feitos, mas sim sobre aquilo que temos capacidade de vir a ser.”

Este é um livro que nos prende, emociona e revolta. É, igualmente, um livro com passagens divertidas e Elizabeth é, sem dúvida, uma mulher fora do comum, que não sabe desistir.

Uma nota para o cão Seis e Meia, elemento fundamental da família, e que deve ser o cão mais letrado dos últimos tempos.

Recomendo a leitura deste livro. Elizabeth Zott vai ficar na memória!

Boas leituras!

25
Jul22

Ler II!

Os livros estiveram presentes na minha vida, desde que me lembro. Os meus pais incentivaram o gosto pela leitura desde a infância e felizmente sempre tive acesso a livros e sobre os mais variados temas. Durante a adolescência li bastante (ajuda só ter dois canais de televisão e não existirem redes sociais à distância de um clique) e na universidade continuei a ler com algum ritmo.

Nos últimos anos, por vários motivos, o meu ritmo de leitura diminuiu. Não deixei de ler, mas não lia com o mesmo ritmo e com o interesse de outros tempos.

Depois do 1.º confinamento em março de 2020 voltei a ler muito e mais do que era habitual. Desde essa altura que o ritmo de leitura aumentou muito. Neste momento tenho muitos livros em casa à espera de serem lidos e uma lista imensa de livros que gostaria de ler, algo que acontece pela primeira vez.

Mas sinto que algo está diferente na forma como leio. Quando estou a ler um livro acontecem duas situações distintas.

A primeira é quando não estou a gostar, interrompo a leitura e não termino o livro. Corro o risco de não ler um livro excelente, mas tenho tantos para ler ou que gostaria de ler que acabo por interromper. Nem sempre estamos no espírito certo para determinadas leituras e posso sempre retomar mais tarde o livro.

A segunda situação é quando termino determinados livros não consigo começar a ler outro livro de seguida. Se gostar muito de uma história, preciso de fazer um intervalo entre leituras para saborear a mesma, digerir aquilo que li, rever mentalmente o enredo e memorizar aquelas personagens. Tenho vontade de ficar mais um pouco naquele mundo.

Neste momento tenho alguns livros cheios de post-its de frases e passagens que gostei e que reli para poder absorver aquilo que li.

Acho que a forma como lemos e aquilo que lemos evolui ao longo dos anos. Os nossos interesses evoluem com a idade, com as nossas vivências e interesses, mas nunca tinha refletido que a forma como lemos também pode ser muito diferente.

Sempre li muito, mas acho que lia para passar o tempo, para saber a história, mas agora sinto que leio de uma forma mais ativa, mas embrenhada na leitura, nas personagens e na mensagem do próprio livro.

São só algumas reflexões soltas de alguém que gosta muito de ler.

Boas leituras e boa semana!

 

14
Jun22

O Dicionário das Palavras Perdidas

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(imagem retirada daqui)
 
Quando li a sinopse do Dicionário das Palavras Perdidas, de Pip Williams achei que o iria ler, em breve, e comecei a leitura com bastante expectativa. O livro é inspirado em factos e personagens reais e permite acompanhar o processo de elaboração e edição de um Dicionário, no final do XIX.
 
Este romance conta-nos a história da pequena Esme, que vive em Oxford (1886), com o pai, e que se esconde debaixo da mesa de classificação onde são selecionadas, por um grupo de lexicógrafos, as palavras para o primeiro Dicionário de Inglês. 
 
Este é o ponto de partida para acompanharmos a vida de Esme num mundo de repleto de palavras, umas mais importantes que outras, em que as palavras ditas no dia a dia pelo povo, as palavras utilizadas pelas mulheres não têm relevância suficiente para constar de um Dicionário e que, por isso mesmo, são esquecidas.
 
O livro é, igualmente, sobre o papel da mulher no final do século XIX, início do século XX, as escolhas que são obrigadas a fazer e a luta pelo direito ao voto das mulheres em Inglaterra.
 
No início, foi uma leitura lenta e tive dúvidas se devia continuar a ler este livro. Troquei umas mensagens no Instagram com uma leitora que estava um pouco mais adiantada na leitura e decidi dar mais uma oportunidade ao livro. Ainda bem que o fiz!
 
Este é um livro que merece ser lido com atenção e que nos faz refletir sobre a relevância e o significado das palavras. Além disso, e não menos importante, fez-me pensar sobre o papel da mulher no final do século XIX, a importância do voto e das nossas escolhas.
 
A capa do livro é lindíssima e a organização dos capítulos está em consonância com a capa e com toda a história.
 
Não sei desenhar, mas as descrições do Scriptorium fizeram-me ter vontade de saber desenhar e de colocar no papel a forma como imaginava o espaço onde decorria a seleção e validação das palavras.
 
“- Prefiro dizer que lhes dou substância. Uma palavra real é uma palavra dita em voz alta e que significa qualquer coisa para alguém. Nem todas conseguem desbravar terreno até conquistarem lugar numa página. Há palavras que toda a vida ouvi dizer e que nunca vi impressas. “(pág. 100).
 
Boas leituras!
12
Jun22

A importância das palavras

“- Sufrágio – disse-lhe.

- É uma palavra importante.

Sorri.

- São todas importantes, Mr. Sweatman.

- Claro que sim, mas algumas têm um significado maior do que nós imaginamos – retorquiu. - Às vezes tenho medo de que o Dicionário fique aquém do esperado.

- E seria assim tão terrível? – Esqueci-me de que estava com pressa. – As palavras são como histórias, não acha, Mr. Sweatman? Mudam à medida que vão passando de boca em boca; os seus significados crescem ou encolhem-se para se adequarem ao que tem que ser dito. É impossível o Dicionário captar todas as variações, principalmente porque muitas delas nunca foram escritas… - Parei, subitamente envergonhada.”

in O Dicionário das Palavras Perdidas, de Pip Williams, p.150

11
Jun22

Ser mulher em 1906

"- Mas não o amo. E não quero casar-me.

Ela ficou ligeiramente tensa, e senti-a encher o peito de ar. Depois, puxou uma cadeira para junto da minha e sentou-se à minha frente, com as mãos dadas às minhas.

- Todas as mulheres querem casar-se, Essymay.

- Se isso é verdade, então porque é que a Dittie não é casada, nem a irmã dela? Ou a Elsie, a Rosfrith ou a Eleanor Bradley? E tu, porque é que não és casada?

- Nem todas as mulheres têm essa oportunidade. E algumas...algumas são criadas com demasiados livros e demasiadas ideias e não conseguem assentar.

- Acho que eu não conseguiria assentar, Lizzie.

- Acabavas por te habituar.

- Mas eu não quero habituar-me.

- Então, queres o quê?

- Quero que as coisas fiquem como estão. Quero continuar a selecionar palavras e a compreender o que elas significam. Quero tornar-me melhor a fazer isso e que me deem mais responsabilidades e quero continuar a ganhar o meu dinheiro. Tenho a sensação de que só agora comecei a perceber quem sou. Ser mulher ou mãe não é para mim. - Saiu tudo de rajada e acabou comigo a soluçar."

in o Dicionário das Palavras Perdidas, de  Pip Williams, p. 190

10
Jun22

Os Capitães da Areia

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(imagem retirada daqui)

Uma amiga desafiou-me para participar na leitura partilhada dos Capitães da Areia, de Jorge Amado. Apesar de ter lido o livro há muito tempo aceitei participar. Quando leio determinados livros sinto falta de ter alguém com quem discutir o livro, partilhar opiniões e achei que o desafio poderia ser interessante.

Capitães da Areia é sobre um grupo de crianças órfãs, abandonadas, entre os 8 e os 16 anos, que vivem nas ruas da Bahia, nos anos 30, e que praticam pequenos crimes para poderem sobreviver.

O livro tem uma leitura fluida, mas é de uma enorme sensibilidade e profundidade. É um livro intenso com personagens marcantes: o Sem-Pernas; o Professor; o padre José Pedro; o Pedro Bala…e a menina estrela.

É um livro que nos faz refletir sobre os conceitos do bem e do mal, do certo e do errado e em como essa fronteira é muitas vezes ténue e depende muito das circunstâncias em que estamos inseridos. No entanto, na luta diária pela subsistência, sobressaem valores como a lealdade, o espírito de sacrifício para garantir a segurança e a sobrevivência do grupo, mesmo que implique suportar a tortura ou partir para um destino, em que a morte é quase certa.

Escrever sobre a história destes meninos homens é difícil. O livro é sobre crianças obrigadas a crescer rapidamente, numa total ausência de afeto e uma vida familiar estruturada, mas que continuam a ser crianças e só precisam de alguém que cuide delas com amor e carinho.

Fico muito contente de ter aceitado o desafio da leitura partilhada e foi muito bom reler esta história.

Vale a pena viajar até à Bahia dos anos 30, pela mão do Jorge Amado e conhecermos os Capitães da Areia.

Boas leituras!

31
Mai22

As luzes do carrossel II

"No começo da noite caiu uma carga d´água. Também as nuvens pretas logo depois desapareceram do céu e as estrelas brilharam, brilhou também a lua cheia. Pela madrugada os Capitães da Areia vieram. O Sem-Pernas botou o motor para trabalhar. E eles esqueceram que não eram iguais às demais crianças, esqueceram que não tinham lar, nem pai, nem mãe, que viviam de furto como homens, que eram temidos na cidade como ladrões. Esqueceram as palavras da velha de Iorgnon. Esqueceram tudo e foram iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, girando com as luzes. As estrelas brilhavam, brilhava a lua cheia. Mas, mais que tudo, brilhavam na noite da Bahia as luzes azuis, verdes, amarelas, roxas, vermelhas do Grande Carrossel Japonês."

in Capitães da Areia, de Jorge Amado

30
Mai22

As luzes do carrossel I

"Depois vai o Sem-Pernas. Vai calado, uma estranha comoção o possui. Vai como um crente para uma missa, um amante para o seio da mulher amada, um suicida para a morte. Vai pálido e coxeia. Monta um cavalo azul que tem estrelas pintadas no lombo de madeira. Os lábios estão apertados, seus ouvidos não ouvem a música da pianola. Só vê as luzes que giram com ele e prende em si a certeza de que está num carrossel, girando num cavalo como todos aqueles meninos que têm pai e mãe, e uma casa e quem os beije e quem os ame. Pensa que é um deles e fecha os olhos para guardar melhor esta certeza. Já não vê os soldados que o surraram, o homem do colete que ria. Volta Seca os matou na sua corrida. O Sem- Pernas vai teso no seu cavalo. É como se corresse sobre o mar para as estrelas, na mais maravilhosa viagem do mundo. Uma viagem como o Professor nunca leu nem inventou. Seu coração bate tanto, tanto, que ele o aperta com a mão."

in Capitães da Areia, de Jorge Amado

 

29
Mai22

A célula adormecida

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(imagem retirada daqui)

Na primeira semana de maio fiquei "covidada" e tinha acabado de ler as Mulheres de Sal. Sentia que precisava de ler algo diferente e que de alguma forma ajudasse a passar o tempo de confinamento.

Na minha estante estava desde setembro de 2021 a "Célula Adormecida" do Nuno Nepomuceno e achei que era a altura de ler este livro. Tinha tempo e é um género de livro que gosto bastante.

Foi uma boa escolha! Ainda não tinha tido oportunidade de ler um livro deste autor e gostei imenso. Li o livro praticamente num dia.

A história prendeu-me desde a primeira página e ao longo das suas 456 páginas o livro transporta-nos para vários locais - Lisboa, Turquia, ilha grega de Lesbos, Síria. As vidas das diferentes personagens interligam-se, de uma forma subtil, até ao desfecho final.

Este livro para além de ser um thriller bem escrito aborda temas que nos fazem refletir: o drama dos refugiados provenientes da Síria e do Médio Oriente e sua luta pela sobrevivência numa Europa, em que muitas vezes não são bem vindos; o preconceito, a intolerância religiosa, a xenofobia e como estes desencadeiam reações de ódio e violência com consequências imprevisíveis.

Depois de ler as "Mulheres de Sal" que aborda, entre outros temas, o drama dos refugiados da América Central, acabei por ler sobre os refugiados provenientes do Médio Oriente, numa perspetiva e enquadramento diferente, mas que me fez refletir, igualmente, sobre a sorte que é nascermos em determinado país e no "lado certo" da vida.

A "Célula Adormecida" é um livro interessante que vale a pena ler, para quem gosta de thrillers religiosos e os restantes livros da série Afonso Catalão já estão na minha lista de desejos.

Boas leituras e boa semana!

 

 

22
Mai22

Mulheres de Sal

mulheres de sal.webp(imagem retirada daqui)

A sinopse deste livro despertou-me a curiosidade desde o início porque a história desenrola-se entre Miami e Cuba e abrange a história de várias gerações de mulheres cubanas. Em 2020 li “Até para o ano em Havana” de Chanel Cleeton, do qual gostei bastante e achei que as “Mulheres de Sal” poderia ser do mesmo género.

É um livro muito diferente do que estava à espera, em que a história é contada pela voz das personagens, em diferentes períodos temporais, em que cada uma delas tem uma história de vida difícil e tem de lutar para sobreviver.  É um livro, entre outros temas, sobre escolhas, muito delas inimagináveis, com um impacto inesperado sobre os relacionamentos familiares e com repercussões nas gerações seguintes.

O livro aborda igualmente a temática dos refugiados, quer dos primeiros refugiados para os EUA, após a revolução cubana, quer dos atuais refugiados da América Central. A história da Glória e da Ana, provenientes de El Salvador e imigrantes ilegais nos EUA, foi a parte do livro que gostei mais e deixou-me pensar, no quanto devemos agradecer todos os dias pelas benesses que temos.

Este é um livro intenso que vale a pena ler.

Boas leituras e boa semana!

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Leituras

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