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A wonderful day

A wonderful day

03
Nov25

Tremor

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Um sismo de grande magnitude atinge Portland, no Oregon. Quando este evento acontece, Annie está numa grande superfície comercial. No final da gravidez, sem companhia, dinheiro ou qualquer forma de contactar o marido, Annie atravessa a cidade de Portland, no meio do caos e do desespero, à procura de Dom.

Enquanto caminha, Annie conversa com o bebé, reflete sobre a sua vida, a relação com o marido e as suas dúvidas sobre a maternidade. É, igualmente, confrontada com a bondade e a maldade dos seres humanos, nas mais variadas formas, numa cidade arrasada.

Adquiri este livro no Blind Date With a Book - Especial Halloween 2025 do Book Gang e foi uma excelente surpresa. Nas primeiras páginas já estava embrenhada na história de Annie e curiosa sobre a sua vida e caminhada através de uma cidade devastada.

A vida de Annie faz-nos refletir sobre as escolhas que fazemos em determinadas fases. A sua caminhada através do caos fez-me questionar sobre qual seria o meu comportamento numa situação idêntica e não tenho resposta para essa pergunta.

Um livro de leitura rápida, sobre a natureza do ser humano perante situações de catástrofe, mas também sobre escolhas e a capacidade ou não de influenciarmos a nossa vida.

 

Está quase escuro, o céu cheio de manchas de púrpura e rosas refletidas de um milhar de janelas partidas. Mais duas horas e estará escuro como um breu. Devíamos estar em casa agora, Feijãozinho. Não devíamos estar na rua, sem ninguém para nos proteger. Tão vulneráveis. Estou demasiado grande e demasiado cansada para fugir ou lutar.

(pág. 159)

Este Blind Date foi uma boa surpresa.

Boas leituras e boa semana!

01
Set25

A Hora da Mudança

No curso da História, há um momento em que a humanidade é chamada a avançar para um novo nível de consciência, a alcançar um patamar moral mais elevado. Um momento em que nos cabe deixar de lado o medo e dar esperança uns aos outros.

Esse momento é agora.

O Comité Norueguês do Nobel lançou um desafio ao mundo para ampliar o entendimento do que é a paz: não pode haver paz sem um desenvolvimento equitativo, e não pode haver desenvolvimento sem uma gestão sustentável do meio ambiente, num espaço democrático e pacífico. Chegou a hora desta mudança.

Em “Wangari Maathai | Plantar Árvores, Semear Ideias”, pág. 45

30
Ago25

Wangari Maathai | Plantar Árvores, Semear Ideias

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(imagem retirada daqui)

Wangari Muta Maathai (Iite, Nieri, 1 de abril de 1940 — Nairóbi, 25 de setembro de 2011) foi uma professora e ativista política do ambiente do Quénia. Foi a primeira mulher africana a receber o Prémio Nobel da Paz.

Maathai fundou o Green Belt Movement, uma organização não governamental ambiental focado na plantação das árvores, conservação ambiental e direitos das mulheres. Em 1986, recebeu o prémio Right Livelihood Award, e em 2004, tornou-se a primeira mulher africana a receber o Prémio Nobel pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz. Maathai foi eleita membro do Parlamento queniano e foi Ministra dos Recursos Ambientais e Naturais no governo do Presidente Mwai Kibaki de 2003 – 2005. Além disso, era conselheira honorária do World Future Council. Em 2011, Maathai morreu de cancro do ovário.

Informação consultada e adaptada da Wikipédia a 30/08/2025 (Wangari_Maathai)

 

O livro “Wangari Maathai | Plantar Árvores, Semear Ideias” está dividido em duas partes.

A primeira parte é o discurso de aceitação do Prémio Nobel da Paz de Wangari Maathai, em dezembro de 2004. A segunda parte é uma análise desse discurso, da autoria de Laia de Ahumada, a qual cruza partes do texto com o percurso de Wangari Maathai e que permite conhecer melhor esta ativista e as suas motivações.

Comprei este livro pelo título e tema. Confesso que não conhecia a vida de Wangari Maathai, mas este livro contém ideais e valores que para mim são muito importantes: a democracia, a valorização e emancipação das mulheres e o ambiente, pilar fundamental do nosso planeta e da nossa sobrevivência, enquanto espécie.

Um discurso de esperança e perseverança que demonstra que a mudança é possível quando trabalhada em comunidade. Evidencia, igualmente, o papel fundamental da mulher africana – tal como no resto do mundo – enquanto pilar das famílias, das comunidades e que não é reconhecido na sua plenitude.

Um discurso com quase 21 anos, que ressoa num mundo cada vez mais distópico, onde as mulheres enfrentam ameaças crescentes, num retrocesso assustador, e os recursos naturais e os ecossistemas são explorados até à exaustão, em nome de uma produção desenfreada e do lucro.

A atribuição do Prémio Nobel da Paz, em 2004, a Wangari Maathai distingue pela primeira vez uma mulher africana, bem como reconhece a importância do ambiente e desenvolvimento sustentável, enquanto elementos fundamentais para a paz.

Durante a leitura deste livro, lembrei-me de um outro livro que li no início do ano – "Um Longo Caminho para a Água" – baseado numa história verídica e o qual aborda temas comuns.

Aceitemos a governação democrática, protejamos os direitos humanos e o nosso meio ambiente. Estou confiante de que não deixaremos escapar a oportunidade. Sempre acreditei que as soluções para a maioria dos nossos problemas devem partir de nós.

(pág.17)

Recomendo muito a leitura deste livro!

Boas leituras!

28
Ago25

Parabéns Livros e Saltos!

Um dos meus blogues preferidos está a celebrar o oitavo aniversário.

Livros e Saltos é um blogue da autoria de Anabela Risso. A Anabela é bibliotecária e a dinamizadora – ou, noutras palavras, a CEO - da Comunidade de Leitura, à qual pertenço.

O Livros e Saltos está repleto de sugestões de leituras, nas quais as publicações incluem, de uma forma geral, uma parte sobre o autor, seguida da opinião sobre o livro. O blogue tem ainda diferentes rubricas como a publicação semanal de um poema e a análise sobre um livro infantil.

Sempre que pretendo saber algo sobre um livro, procuro no blogue para verificar se a Anabela já leu e qual é a sua opinião. Sei que irei encontrar uma análise sincera e devidamente estruturada sobre o livro, o que para mim é muito relevante.

Oito anos de blogue, com publicações quase diárias, significam muito trabalho e dedicação e o Livros e Saltos e a sua autora estão de parabéns.

Sei que o blogue está localizado noutra plataforma, mas vale a pena conhecer este cantinho tão especial, que é para mim um espaço de referência.

Muitos parabéns Anabela! Muitos parabéns Livros e Saltos

12
Ago25

Elos perdidos

"É curioso como a vida é uma espécie de corrente. Vamos construindo cada elo ao longo do caminho e seguimos, como se fosse apenas uma peça isolada. Depois, olhamos para trás, para percebermos que o momento presente resulta da junção dos elos perdidos, concluindo que todos existiram para nos fazer chegar onde estamos. Sem saber, aqueles cadernos que enchi de letras durante o tempo que vivi no convento foram o início do que viria a ser a minha vida."

em "Viradas do Avesso" de Joana Kabuki, pág. 126

10
Ago25

Quem escreve quer ser lido!

No último livro que li - "Viradas do Avesso" da Joana Kabuki - e sem desvendar muito a história, uma das personagens cria um blogue. Numa determinada parte do livro tem um passagem sobre os blogues, que achei muito interessante e quis registar neste meu cantinho.

Quem escreve quer ser lido, e não há outra verdade além dessa. Sentir que o que dizemos importa, o que escrevemos ser reconhecido como válido por pessoas que nem sabemos quem são faz-nos sentir que temos um lugar no mundo. Que há um papel que nos está destinado e que não somos apenas um grão de areia perdido na praia. De repente, há quem espera pelo que temos a dizer, há quem nos sinta a falta se estivermos mais tempo do que o costume sem publicar. Um sentimento a que não estava habituada. E era bom.

em "Viradas do Avesso" de Joana Kabuki, págs. 140-141

Este excerto ressoou dentro de mim, porque sinto que a escrita exige tempo, reflexão e silêncio, externo e sobretudo interno. Quando esta é divulgada, é sempre uma partilha -  ficcional ou não - de quem escreve.

Mesmo que os blogues já tenham tido um período áureo na internet, há quem continue a escrever, a partilhar vivências, opiniões, leituras… a oferecer um pouco de si aos outros. Talvez este seja um dos encantos da blogosfera e talvez seja por isto que muitos blogues continuam vivos e resistem estoicamente à voracidade das redes sociais.

Boa semana!

09
Ago25

Viradas do Avesso

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(imagem retirada daqui)

O futuro. Sabia lá eu o que queria para o meu futuro, se nem do meu passado estava certa.

(pág. 128)

Alice, Berta e Carlota são amigas de infância e inseparáveis. Em plena adolescência e após uma tragédia, Berta desaparece de forma inexplicável. Sem qualquer pista sobre o destino da amiga, Alice e Carlota lidam de forma diferente com o sofrimento, a perda e procuram continuar com as suas vidas.

Berta reaparece vinte anos mais tarde e reencontra as amigas. Os fantasmas do passado cruzam-se com o presente, numa teia complexa de amizade, traumas e emoções. Será possível reconstruir uma ligação que parecia inquebrável?

Este é um livro com uma escrita fluída, que me agarrou desde a primeira página. Joana Kabuki dá voz a cada uma das amigas e conduz o leitor através de uma história repleta de amizade, superação, mas também de muitas feridas e perguntas.

Este livro despertou-me a curiosidade desde a sua publicação, mas só agora tive oportunidade de o ler. Gostei muito e li-o rapidamente. Confesso que não estava à espera de ficar tão envolvida e foi uma excelente surpresa.

O futuro da nossa relação dependeria da resposta a uma simples pergunta: se nos conhecêssemos hoje, sentiríamos vontade de ser amigas?

(pág. 235)

Recomendo vivamente a sua leitura! Boas leituras!

10
Jun25

Maioria silenciosa

E o que me deixava ainda mais triste era que, no fundo, me apercebera de que havia poucos pais contra na assembleia. Mas tinham sido esses a fazer mais barulho. Chama-se a isto uma “minoria ruidosa”. Por outro lado, os pais que eram a favor não tinham dito grande coisa. A começar pelos meus. Ficar calado não é lá muito corajoso.

Resumindo, a democracia fora desprezada nesta noite. E eu disse para comigo que os grandes culpados do fiasco não eram tanto os membros da minoria ruidosa, que tinham evidentemente o direito de expressar a sua opinião, mas todos aqueles que, à sua volta, haviam permanecido completamente calados.

Parece que ao conjunto dessas pessoas se chama “maioria silenciosa”.

em “Uma catastrófica visita ao zoo” de Joël Dicker, pág. 95

08
Jun25

Uma catastrófica visita ao zoo

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(imagem retirada daqui)

Joël Dicker volta a surpreender com o seu novo livro.

A escola para crianças especiais fica inundada durante o fim de semana. Os seis alunos e a professora são transferidos para a escola normal. Após este evento, acontece uma sucessão de catástrofes que culmina numa visita dramática ao jardim zoológico, nos dias que antecedem o Natal. Este episódio marca a comunidade durante muitos anos, em que ninguém sabe o que realmente aconteceu.

Um livro de leitura rápida, diferente dos outros livros do escritor, mas que vale a pena ser lido. Mistério e humor são dois dos ingredientes presentes nesta narrativa, a qual aborda temas atuais e muito pertinentes como a democracia, a tolerância, a inclusão e que conduz o leitor à reflexão.

Esta é uma história escrita de forma inteligente, em que através da perspetiva das crianças é evidenciado o mundo em que vivemos e as incongruências dos adultos.

Um livro que pode e deve ser lido por todas as idades. Este é um daqueles livros em que uma leitura partilhada, especialmente entre pais e filhos, tornará a mesma muito enriquecedora.

“Uma catástrofe nunca acontece de repente: ela é o resultado de uma série de pequenos abalos que passam praticamente despercebidos, mas que, pouco a pouco, se convertem num terramoto. O que aconteceu hoje no jardim zoológico não fugiu à regra: foi o fogo-de-artifício final de uma sucessão de catástrofes.”

(pág. 18)

Boas leituras!

27
Abr25

A Casa dos Galos

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(imagem retirada daqui)

O desafio literário da Comunidade de Leitura para 2025 é ler pelo menos 12 livros das estantes, de forma a diminuir a lista de livros para ler. São muitos os livros que habitam nas minhas estantes, que comprei a pensar que iria ler em breve e por diferentes motivos ficaram para trás.

Um desses livros é “A Casa dos Galos”, comprado em 2023. A autora Victoria Belim nasceu na Ucrânia, quando esta ainda fazia parte da União Soviética. Mais tarde, emigrou para os EUA e na data em que escreveu este livro vivia em Bruxelas.

Em 2014, na sequência dos acontecimentos na praça Maidan e da invasão da Crimeia pela Rússia, Victoria sente necessidade de voltar à sua terra natal e de conhecer as suas raízes, nomeadamente o passado da sua família. Este é o princípio de um romance autobiográfico, que acompanha a história da família de Victoria ao longo de quatro gerações, a qual está profundamente interligada com a história da Ucrânia e do século XX.

Recentemente reli “O Triunfo dos Porcos” de George Orwell e vi o filme “Mr. Jones – A verdade da mentira”, os quais interagem de uma forma muito interessante. A leitura de “A Casa dos Galos” tornou-se uma leitura complementar, em que é possível compreender a influência e abrangência de um regime como a antiga União Soviética sobre um povo. Numa determinada parte do livro, a descrição sobre aquilo que aconteceu a um dos antepassados de Victoria, em 1937, é quase como ler um resumo de “O Triunfos dos Porcos”.

Gosto muito de livros com contexto histórico e este correspondeu às minhas expetativas. Uma leitura envolvente, que evidencia como os acontecimentos históricos marcam as pessoas e as famílias e em que não é possível ficar indiferente.

Recomendo muito a leitura deste livro para quem se interessa pela História recente. Boas leituras!

“Sentada no meu antigo quarto, rodeada de imagens de pessoas que amava, reconheci que o passado podia conter dor e beleza e que, embora alguma dor nunca se dissipe, podia aprender a aceitá-lo. Resolvi abraçar o passado na sua complexidade tal como abraçava o futuro na sua incerteza. Dei a mim própria a liberdade de fazer o luto.”

(pág. 265)

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A Casa dos Galos: A História de uma Família Ucraniana
A Corrente
A Vegetariana
Caruncho
O Triunfo dos Porcos
Nem Todas as Árvores Morrem de Pé
Os Malaquias
Pedro Páramo
Cai a Noite em Caracas
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Ficou tanto por dizer - micro contos
Crime na Quinta das Lágrimas
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