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Dez24
Ouvidos
Quando estou sozinha,
sento os mortos à mesa
e dou-lhes de comer -
um prato a cada um, em
troca dessas histórias que
morro de saudades de os
ouvir contar. E escuto-os
com a velha paixão - tal
qual estivessem vivos -
para não me fugirem as
suas vozes da memória.
Às vezes choro, claro -
e nem é por eles já não
terem dentes e me
deixarem quase tudo no
prato; mas por os ver ali,
ao pé de mim, e me sentir
na mesma tão sozinha.
em "O meu corpo humano" de Maria do Rosário Pedreira, pág. 28
Advento #10






















