Amor-próprio
Ao mesmo tempo, o olhar dele continuava a alimentar uma qualquer substância dentro de si, de que sempre carecera. Um território onde não fora capaz de erguer um edifício de amor-próprio, um território de secas e escassez constantes, a que sempre voltava para se certificar da própria pequenez, como uma condenação eterna. O olhar dele fertilizara esse terreno inóspito; a forma como lhe devolvia a própria imagem melhorada, como parecia acreditar nela e nas suas capacidades, como se revelava encantado, enfeitiçado por ela. Nunca fora capaz de seduzir um homem; aqueles que lhe haviam dedicado a sua paixão tinham sempre tomado a iniciativa, que ela aprovara sem se deter a levantar obstáculos, deslumbrada por se sentir desejada e por nessa vertigem conseguir entrever um pequeno clarão do que queria sentir-se amada.
em Lei da Gravidade de Gabriela Ruivo, pág. 216






















