A última noite de um tirano

(imagem retirada daqui)
Esta história começa em Sirta, na Líbia, na noite de 19 para 20 de outubro de 2011, a noite em que Muammar Kadhafi foi morto e capturado.
O coronel Kadhafi governou a Líbia entre 1969 e 2011. Os protestos associados à Primavera Árabe (2011) percorreram vários países do Médio Oriente e do Norte de África com repercussões profundas no equilíbrio político desta área do mundo. Na Líbia eclodiu uma guerra civil e o governo de Kadhafi foi derrubado.
O livro está escrito na primeira pessoa e ao longo de 160 páginas é possível acompanhar as reflexões e memórias de um tirano. Este vê-se como o Irmão Guia que transformou a Líbia e fez tudo o que podia para proteger o seu povo. Refugiado numa casa e em fuga não consegue compreender a revolta do povo.
Um livro pequeno, repleto de de reflexões muito interessantes sobre a forma como os ditadores encaram o seu próprio papel na História.
Não tinha qualquer expectativa sobre este livro e foi escolhido de forma aleatória para a sessão de junho da biblioteca. No entanto, surpreendeu-me e para quem gosta de História recomendo muito a leitura.
"Não sou um ditador!
Sou o vigilante implacável; a loba que protege as crias, com as presas maiores que as goelas; o tigre indomável e cioso que urina nas convenções internacionais para marcar o território. Não sei curvar a espinha nem olhar para o chão quando me atacam de cima. Ando com o nariz bem levantado, com a minha lua cheia à laia de auréola, e espezinho os senhores do mundo e os seus vassalos.
Dizem que sou megalómano.
É falso.
Sou um ser excecional, a providência incarnada que os deuses invejam e soube fazer da sua causa uma religião." (pág. 76)
Boas leituras!






















