![casa_galos.webp]()
(imagem retirada daqui)
O desafio literário da Comunidade de Leitura para 2025 é ler pelo menos 12 livros das estantes, de forma a diminuir a lista de livros para ler. São muitos os livros que habitam nas minhas estantes, que comprei a pensar que iria ler em breve e por diferentes motivos ficaram para trás.
Um desses livros é “A Casa dos Galos”, comprado em 2023. A autora Victoria Belim nasceu na Ucrânia, quando esta ainda fazia parte da União Soviética. Mais tarde, emigrou para os EUA e na data em que escreveu este livro vivia em Bruxelas.
Em 2014, na sequência dos acontecimentos na praça Maidan e da invasão da Crimeia pela Rússia, Victoria sente necessidade de voltar à sua terra natal e de conhecer as suas raízes, nomeadamente o passado da sua família. Este é o princípio de um romance autobiográfico, que acompanha a história da família de Victoria ao longo de quatro gerações, a qual está profundamente interligada com a história da Ucrânia e do século XX.
Recentemente reli “O Triunfo dos Porcos” de George Orwell e vi o filme “Mr. Jones – A verdade da mentira”, os quais interagem de uma forma muito interessante. A leitura de “A Casa dos Galos” tornou-se uma leitura complementar, em que é possível compreender a influência e abrangência de um regime como a antiga União Soviética sobre um povo. Numa determinada parte do livro, a descrição sobre aquilo que aconteceu a um dos antepassados de Victoria, em 1937, é quase como ler um resumo de “O Triunfos dos Porcos”.
Gosto muito de livros com contexto histórico e este correspondeu às minhas expetativas. Uma leitura envolvente, que evidencia como os acontecimentos históricos marcam as pessoas e as famílias e em que não é possível ficar indiferente.
Recomendo muito a leitura deste livro para quem se interessa pela História recente. Boas leituras!
“Sentada no meu antigo quarto, rodeada de imagens de pessoas que amava, reconheci que o passado podia conter dor e beleza e que, embora alguma dor nunca se dissipe, podia aprender a aceitá-lo. Resolvi abraçar o passado na sua complexidade tal como abraçava o futuro na sua incerteza. Dei a mim própria a liberdade de fazer o luto.”
(pág. 265)