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A wonderful day

A wonderful day

31
Mar25

Mudança de hora

Dormi mal esta noite. Talvez tenha sido a mudança de hora, talvez não. Senti que tinha passado a noite num turbilhão de palavras, de histórias que surgiam, personagens que apareciam e que queriam ganhar forma. Acordei com a sensação de que a "A Louca da Casa" tinha revirado o sótão do avesso.

Regressemos assim à imaginação. A essa louca às vezes fascinante e às vezes furiosa que mora no sótão.

Em “A Louca da Casa” de Rosa Montero, pág. 19

06
Mar25

Uma escola

- Que te parece que estamos a construir? – perguntou o pai de Nya a sorrir.

- Uma casa? – arriscou Nya – Ou um celeiro?

O pai abanou a cabeça.

- Uma coisa melhor – respondeu – Uma escola.

Nya abriu muito os olhos. A escola mais próxima ficava a meio dia de caminho da casa deles. Nya sabia, porque Dep quisera ir para lá, mas era demasiado longe.

- Uma escola? – repetiu.

- Sim – retorquiu o pai – Com o poço, já ninguém precisa de ir à lagoa. Por isso, todas as crianças poderão ir à escola.

Nya fitou o pai. Abriu a boca, mas não pronunciou nenhuma palavra. Quando, por fim, foi capaz de falar, saiu-lhe num sussurro.

- Todas as crianças, pai? As raparigas também?

O sorriso do pai alargou-se.

-  Sim, Nya. As raparigas também – disse. – Agora vai buscar água para nós. – E regressou à sua tarefa a ceifar a erva alta.

Nya pegou na vasilha de plástico. Tinha a sensação de estar a voar.

Uma escola! Ia aprender a ler e a escrever.

em "Um Longo Caminho para a Água", de Linda Sue Park, pág. 91

04
Mar25

Um passo de cada vez!

  Era como se a sua família o estivesse a ajudar, apesar de não estar ali. Recordou-se de como tomara conta do irmãozinho, Kuol, mas também sabia como era ter de escutar os mais velhos, Ariik e Ring. E lembrava-se bem da docilidade as irmãs, da força do pai, dos cuidados da mãe.

  Acima de tudo, recordava-se de como o tio o encorajara no deserto.

  Um passo de cada vez…um dia de cada vez. É só hoje…é só preciso ultrapassar o dia de hoje…

  Dizia aquilo a si próprio todos os dias. E dizia-o também aos rapazes do grupo.

  Assim, um dia de cada vez, o grupo chegou ao Quénia.

  Mais de mil e duzentos rapazes chegaram em segurança.

  Levou-lhes um ano e meio.

em "Um Longo Caminho para a Água" de Linda Sue Park, págs. 74 e 75

02
Mar25

Um Longo Caminho para a Água

caminho_agua.webp

(imagem retirada daqui)

“Em casa apenas durante a refeição, Nya preparava-se agora para a segunda viagem do dia até à lagoa. Ida e vinda – ida e vinda -, ao todo, quase um dia inteiro a caminhar. Era esta a rotina diária de Nya durante sete meses ao ano.

Diariamente. Todos os dias, sem exceção.”

(pág. 25)

Nya tem 11 anos e as suas caminhadas diárias até uma lagoa garantem o fornecimento de água para a sobrevivência da sua família.

Salva tem 11 anos e um dia a sua escola é atacada pelos rebeldes. Salva segue as instruções do professor e foge para o mato. Este é o início de uma caminhada de vários anos, em que atravessa parte do continente africano à procura da família e de segurança.

São duas histórias que ocorrem em épocas distintas, no sul do Suão, mas que se irão cruzar, de uma forma inesperada.

O livro é baseado na história de Salva, um, entre as centenas de Meninos Perdidos que atravessaram o continente africano para fugirem da guerra.

Um livro de rápida leitura, com várias camadas, mas para mim muito importantes. A guerra, os refugiados, as crianças que eram e são “recrutadas” para os grupos armados, mas também a escassez de água e como o acesso a este recurso é fundamental para o desenvolvimento de uma comunidade. É, igualmente, um livro sobre a vontade de sobreviver, passo a passo, em que cada dia é uma conquista.

É um livro dedicado ao público juvenil, mas que os adultos também deviam ler. Esta é uma leitura que não deixa o leitor indiferente.

“Os Meninos Perdidos.

  Era assim que lhes chamavam na América – os rapazes que tinham perdido a casa e a família por causa da guerra e que vaguearam, perdidos, durante semanas ou meses, antes de chegaram aos campos de refugiados.”

(pág. 83).

Boas leituras!

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A Corrente
A Vegetariana
Caruncho
O Triunfo dos Porcos
Nem Todas as Árvores Morrem de Pé
Os Malaquias
Pedro Páramo
Cai a Noite em Caracas
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A Maldição
Ficou tanto por dizer - micro contos
Crime na Quinta das Lágrimas
A Árvore das Palavras
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