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(imagem retirada daqui)
“Em casa apenas durante a refeição, Nya preparava-se agora para a segunda viagem do dia até à lagoa. Ida e vinda – ida e vinda -, ao todo, quase um dia inteiro a caminhar. Era esta a rotina diária de Nya durante sete meses ao ano.
Diariamente. Todos os dias, sem exceção.”
(pág. 25)
Nya tem 11 anos e as suas caminhadas diárias até uma lagoa garantem o fornecimento de água para a sobrevivência da sua família.
Salva tem 11 anos e um dia a sua escola é atacada pelos rebeldes. Salva segue as instruções do professor e foge para o mato. Este é o início de uma caminhada de vários anos, em que atravessa parte do continente africano à procura da família e de segurança.
São duas histórias que ocorrem em épocas distintas, no sul do Suão, mas que se irão cruzar, de uma forma inesperada.
O livro é baseado na história de Salva, um, entre as centenas de Meninos Perdidos que atravessaram o continente africano para fugirem da guerra.
Um livro de rápida leitura, com várias camadas, mas para mim muito importantes. A guerra, os refugiados, as crianças que eram e são “recrutadas” para os grupos armados, mas também a escassez de água e como o acesso a este recurso é fundamental para o desenvolvimento de uma comunidade. É, igualmente, um livro sobre a vontade de sobreviver, passo a passo, em que cada dia é uma conquista.
É um livro dedicado ao público juvenil, mas que os adultos também deviam ler. Esta é uma leitura que não deixa o leitor indiferente.
“Os Meninos Perdidos.
Era assim que lhes chamavam na América – os rapazes que tinham perdido a casa e a família por causa da guerra e que vaguearam, perdidos, durante semanas ou meses, antes de chegaram aos campos de refugiados.”
(pág. 83).
Boas leituras!