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A wonderful day

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14
Jun22

O Dicionário das Palavras Perdidas

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(imagem retirada daqui)
 
Quando li a sinopse do Dicionário das Palavras Perdidas, de Pip Williams achei que o iria ler, em breve, e comecei a leitura com bastante expectativa. O livro é inspirado em factos e personagens reais e permite acompanhar o processo de elaboração e edição de um Dicionário, no final do XIX.
 
Este romance conta-nos a história da pequena Esme, que vive em Oxford (1886), com o pai, e que se esconde debaixo da mesa de classificação onde são selecionadas, por um grupo de lexicógrafos, as palavras para o primeiro Dicionário de Inglês. 
 
Este é o ponto de partida para acompanharmos a vida de Esme num mundo de repleto de palavras, umas mais importantes que outras, em que as palavras ditas no dia a dia pelo povo, as palavras utilizadas pelas mulheres não têm relevância suficiente para constar de um Dicionário e que, por isso mesmo, são esquecidas.
 
O livro é, igualmente, sobre o papel da mulher no final do século XIX, início do século XX, as escolhas que são obrigadas a fazer e a luta pelo direito ao voto das mulheres em Inglaterra.
 
No início, foi uma leitura lenta e tive dúvidas se devia continuar a ler este livro. Troquei umas mensagens no Instagram com uma leitora que estava um pouco mais adiantada na leitura e decidi dar mais uma oportunidade ao livro. Ainda bem que o fiz!
 
Este é um livro que merece ser lido com atenção e que nos faz refletir sobre a relevância e o significado das palavras. Além disso, e não menos importante, fez-me pensar sobre o papel da mulher no final do século XIX, a importância do voto e das nossas escolhas.
 
A capa do livro é lindíssima e a organização dos capítulos está em consonância com a capa e com toda a história.
 
Não sei desenhar, mas as descrições do Scriptorium fizeram-me ter vontade de saber desenhar e de colocar no papel a forma como imaginava o espaço onde decorria a seleção e validação das palavras.
 
“- Prefiro dizer que lhes dou substância. Uma palavra real é uma palavra dita em voz alta e que significa qualquer coisa para alguém. Nem todas conseguem desbravar terreno até conquistarem lugar numa página. Há palavras que toda a vida ouvi dizer e que nunca vi impressas. “(pág. 100).
 
Boas leituras!
12
Jun22

A importância das palavras

“- Sufrágio – disse-lhe.

- É uma palavra importante.

Sorri.

- São todas importantes, Mr. Sweatman.

- Claro que sim, mas algumas têm um significado maior do que nós imaginamos – retorquiu. - Às vezes tenho medo de que o Dicionário fique aquém do esperado.

- E seria assim tão terrível? – Esqueci-me de que estava com pressa. – As palavras são como histórias, não acha, Mr. Sweatman? Mudam à medida que vão passando de boca em boca; os seus significados crescem ou encolhem-se para se adequarem ao que tem que ser dito. É impossível o Dicionário captar todas as variações, principalmente porque muitas delas nunca foram escritas… - Parei, subitamente envergonhada.”

in O Dicionário das Palavras Perdidas, de Pip Williams, p.150

11
Jun22

Ser mulher em 1906

"- Mas não o amo. E não quero casar-me.

Ela ficou ligeiramente tensa, e senti-a encher o peito de ar. Depois, puxou uma cadeira para junto da minha e sentou-se à minha frente, com as mãos dadas às minhas.

- Todas as mulheres querem casar-se, Essymay.

- Se isso é verdade, então porque é que a Dittie não é casada, nem a irmã dela? Ou a Elsie, a Rosfrith ou a Eleanor Bradley? E tu, porque é que não és casada?

- Nem todas as mulheres têm essa oportunidade. E algumas...algumas são criadas com demasiados livros e demasiadas ideias e não conseguem assentar.

- Acho que eu não conseguiria assentar, Lizzie.

- Acabavas por te habituar.

- Mas eu não quero habituar-me.

- Então, queres o quê?

- Quero que as coisas fiquem como estão. Quero continuar a selecionar palavras e a compreender o que elas significam. Quero tornar-me melhor a fazer isso e que me deem mais responsabilidades e quero continuar a ganhar o meu dinheiro. Tenho a sensação de que só agora comecei a perceber quem sou. Ser mulher ou mãe não é para mim. - Saiu tudo de rajada e acabou comigo a soluçar."

in o Dicionário das Palavras Perdidas, de  Pip Williams, p. 190

10
Jun22

Os Capitães da Areia

Capitaes_areia.webp

(imagem retirada daqui)

Uma amiga desafiou-me para participar na leitura partilhada dos Capitães da Areia, de Jorge Amado. Apesar de ter lido o livro há muito tempo aceitei participar. Quando leio determinados livros sinto falta de ter alguém com quem discutir o livro, partilhar opiniões e achei que o desafio poderia ser interessante.

Capitães da Areia é sobre um grupo de crianças órfãs, abandonadas, entre os 8 e os 16 anos, que vivem nas ruas da Bahia, nos anos 30, e que praticam pequenos crimes para poderem sobreviver.

O livro tem uma leitura fluida, mas é de uma enorme sensibilidade e profundidade. É um livro intenso com personagens marcantes: o Sem-Pernas; o Professor; o padre José Pedro; o Pedro Bala…e a menina estrela.

É um livro que nos faz refletir sobre os conceitos do bem e do mal, do certo e do errado e em como essa fronteira é muitas vezes ténue e depende muito das circunstâncias em que estamos inseridos. No entanto, na luta diária pela subsistência, sobressaem valores como a lealdade, o espírito de sacrifício para garantir a segurança e a sobrevivência do grupo, mesmo que implique suportar a tortura ou partir para um destino, em que a morte é quase certa.

Escrever sobre a história destes meninos homens é difícil. O livro é sobre crianças obrigadas a crescer rapidamente, numa total ausência de afeto e uma vida familiar estruturada, mas que continuam a ser crianças e só precisam de alguém que cuide delas com amor e carinho.

Fico muito contente de ter aceitado o desafio da leitura partilhada e foi muito bom reler esta história.

Vale a pena viajar até à Bahia dos anos 30, pela mão do Jorge Amado e conhecermos os Capitães da Areia.

Boas leituras!

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