Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A wonderful day

A wonderful day

01
Jan24

2023 foi um ano bom!

Entro em 2024 de coração cheio!

2023 foi um ano sem muitos sobressaltos, mas rico em emoções. Um ano vivido em família e com os amigos. Um ano com novos desafios pessoais, novas rotinas, mas em que as prioridades foram aproveitar o tempo, estar presente e agradecer, agradecer muito aquilo que tenho e vivi ao longo deste ano. 

2023 foi um também ano com muita música, muitas delas especiais. Uma delas traduz o ano que termina na perfeição, principalmente a parte que transcrevo.

 

"Amor eu estou à tua porta vem ficar para sempre
Crianças no banco de trás e o pôr-do-sol em frente
E num abraço ser família
Nós somos Casa, Bagunça e Viagem para o resto da vida"

excerto da música Casa dos D.A.M.A e Buba Espinho

 

 

19
Nov23

Voltar a ver as cores!

"Ele vira-se para mim com um sorriso sereno.

- Quando foi a última vez que viste o pôr do sol, Salama? Como deve ser?

Franzo a testa.

- Não me lembro.

- Com toda a destruição que acontece lá em baixo, é fácil esquecer a beleza que permanece aqui em cima. O céu é tão bonito depois da chuva... (...)

- Perguntaste-me se conseguirias voltar a ver as cores, Salama. Se merecemos vê-las - diz o Kenan baixinho. - Acho que merecemos. E acho que tu consegues. Há muito pouca cor na morte. Na dor. Mas isso não é a única coisa do mundo. A Síria não tem apenas isso. O nosso país foi em tempos o centro do mundo. Invenções e descobertas foram feitas aqui, que construíram o mundo. A nossa História está no palácio Al-Zahrawi, nas nossas mesquitas, no nosso solo. (...)

- Vês as cores, Salama? - sussura o Kenan.

O pôr do sol é magnífico, mas empalidece na presença dele. O brilho do final do dia envolve-o totalmente, um caleidoscópio de tons a dançar-lhe no rosto. Cor-de-rosa, laranja, amarelo, púrpura, vermelho, acabando por se fixar num azul-celeste. Lembra-me a pintura da Layla. Uma cor tão forte, que me tingiria os dedos se lhe tocasse."

em Onde Crescem os Limoeiros de Zoulfa Katouh, págs. 181-183

18
Nov23

Onde crescem os limoeiros

limoeiros.webp

(imagem retirada daqui)

Salama, jovem estudante de Farmácia, vive na cidade de Homs (Síria) com a sua família e um futuro auspicioso pela frente.

Um ano depois Salama é voluntária num dos hospitais da cidade Homs, destruída pela guerra civil. A mãe morreu, o pai e o irmão foram presos, provavelmente sujeitos a todo o tipo de torturas, em que morrer será uma bênção.

Salama luta diariamente no hospital para ajudar aqueles que precisam, vítimas de constantes e hediondos ataques. Laya, a sua melhor amiga e cunhada está grávida e as duas procuram sobreviver numa cidade à beira do colapso. Deverão partir e abandonar o país na procura de um local seguro e juntarem-se aos milhares de refugiados que atravessam o Mediterrâneo?

A história de Salama é uma porta de entrada para a guerra da Síria e que porta! Um livro muito intenso, com descrições impactantes sobre o que é ser voluntária num hospital em cenário de guerra, com recursos escassos, em que os feridos e os mortos aumentam diariamente e é impossível tratar de todos aqueles que são vítimas dos ataques.

Ler este livro, nestes dias (outubro de 2023), com a presença das imagens diárias que vejo na televisão foi intenso, muito intenso. O livro transportou-me para um cenário de guerra, morte, desespero e para uma luta desigual pela sobrevivência. No entanto, em simultâneo, existe uma vontade muito forte de sobreviver e viver num país livre e este livro é uma história de amor pela Síria, pelo seu passado, em que a hipótese de partir e abandonar a sua cidade, a sua terra, em luta pela liberdade, é um sentimento perturbador.

Esta é igualmente uma história de amor entre Salama e Kenan, um rapaz de 19 anos que um dia aparece no hospital com a irmã ferida. Kenan quer ficar na Síria e lutar com as armas que tem: uma câmara de filmar e um computador.

Como pode uma jovem de 18 anos vislumbrar as cores da vida no meio de tanta morte, desespero e luta pela sobrevivência?

Salama é uma personagem que ficará comigo e este é também um livro que não esquecerei tão depressa.

“É o preço de um futuro em liberdade, Khawf. É o preço que o Hamza está a pagar todos os dias. Mas sou síria. Esta é a minha terra e, tal como os limoeiros que aqui crescem há séculos, o sangue derramado não nos deterá. Tenho fé em Deus. Ele há de proteger-me. Têm-me imposto a tirania, mas não podem obrigar-me a engolir o seu sabor ácido. Aconteça o que acontecer.” (pág. 221)

Boas leituras!

26
Set23

O cheiro do café

Gosto do cheiro do café acabado de fazer numa cafeteira italiana.

É um cheiro que enche a alma de memórias. É um cheiro através do qual viajo para as férias de campismo, com a família, em que fazer café para o pequeno-almoço era um ritual.

Acordar com o cheiro do café misturado com o cheiro das árvores, os ruídos de um parque de campismo a acordar, a luz entrar na tenda é algo que faz parte das minhas recordações.

Na primeira vez em que fui acampar com o meu marido, disse-lhe que era obrigatório levarmos uma cafeteira italiana, mas não percebeu bem a minha insistência. Assim, que fizemos o primeiro café percebeu o porquê do meu pedido.

Um café feito em casa, numa cafeteira italiana, é uma aproximação fraca, mas este será sempre um cheiro que conforta e aconchega.

24
Set23

A demência e a leitura

Ontem foi um dia especial.

A Comunidade de Leitura da Biblioteca Pública de Évora juntou-se ao Café Memória de Évora para falar sobre “A Vivência da Demência e do Cuidar na Literatura”.

A Wikipédia refere: “Demência é uma categoria genérica de doenças cerebrais que gradualmente e a longo prazo causam diminuição da capacidade de raciocínio e memória, a tal ponto que interfere com a função normal da pessoa” (consultada a 24/09/2023 - Demência)

A melhor bibliotecária do mundo e a nossa querida psicóloga prepararam uma lista de livros sobre a demência para que os membros da Comunidade pudessem aprender sobre este assunto, perceberem um pouco o que é viver com demência ou cuidar de alguém que vive com esta doença.

Durante a sessão do Café Memória os participantes e voluntários falaram sobre os livros que os marcaram, sobre os seus autores preferidos e este foi o ponto de partida para uma conversa e partilha sobre a leitura e a importância que esta tem na vida de cada um.

A leitura é um ato solitário porque é algo que fazemos sozinhos, mas também é uma partilha sempre que falamos de livros com alguém. No entanto, para mim a leitura é muito mais que um ato solitário ou uma partilha de opiniões. A leitura  permite criar pontes, interligar gerações e pessoas diferentes, com percursos de vida muito distintos e ajuda a criar e/ou reforçar comunidades e grupos.

Ontem foi um dia de criar pontes, interligar pessoas e foi muito bom. Sinto-me muito grata por ter participado e de coração cheio!

Para saber mais sobre este assunto:

Café Memória

Alzheimer Portugal

 

16
Set23

Tahrir! Os dias da revolução

tahrir.webp

(imagem retirada daqui)

Algumas das minhas leituras mais recentes têm incidido em autores do Médio Oriente e a minha curiosidade sobre esta parte do mundo, nomeadamente sobre a sua História, tem aumentado nos últimos meses.

Tahrir! Os dias da revolução é o relato da jornalista Alexandra Lucas Coelho que acompanhou a revolução no Egipto em fevereiro de 2011.

Este livro, em formato diário, decorre entre os dias 5 e 14 de fevereiro e Alexandra Lucas Coelho partilha com os leitores aquilo que viveu na praça Tahrir. Através dele é possível conhecer alguns dos manifestantes, as suas origens, as expectativas e o porquê de estarem presentes naquela praça. Todo sentiam que estavam a viver um momento histórico e queriam dar o seu contributo.

Um livro que permite compreender um pouco mais sobre a História recente e que transmite a esperança de milhares de pessoas num mundo melhor, em que diferentes gerações e religiões poderão conviver e terem um futuro comum.

Os objetivos dos manifestantes da praça Tahrir não foram atingidos e, 10 anos depois, organizações não governamentais que promovem os direitos humanos e os valores democráticos consideram o Egipto como um país “não livre”.

No entanto, o testemunho dos que viveram aqueles dias é marcante. A esperança, a capacidade de acreditar que se pode construir uma sociedade melhor é algo ao qual não podemos ficar indiferentes.

Medo está fascinado. “É a primeira vez que vejo pessoas livres no Egipto. Antes de 25 de janeiro era impossível ver isto em público. É por isso que vimos aqui todos os dias. Nem conseguimos acreditar que somos iguais. Estamos a tratar-nos como iguais. Pobres e ricos a dormir na rua. Acho que não aconteceu em muitos lugares do planeta.”

Puxa um cobertor para me cobrir o colo.” (pág. 54)

Boas leituras!

15
Set23

Ser mulher no Afeganistão

"Zunaira faz que não com a cabeça:

- Não estou para voltar desgostosa para casa, Mohsen.

As coisas da rua vão estragar-me inutilmente o dia. Sou incapaz de passar diante de um horror e de fazer como se nada fosse. Por outro lado, recuso-me a usar o tchadri. De todas as albardas, é a mais aviltante. Uma túnica de Nesso não me faria sentir tão indigna como essa farpela funesta que me coisifica apagando-me o rosto e confiscando-me a identidade. Aqui, ao menos, sou eu, Zunaira, esposa de Mohsen Ramat, trinta e dois anos, magistrada despedida pelo obscurantismo, sem processo nem indemnização, mas com suficiente presença de espírito para me pentear todos os dias e cuidar de mim como a menina dos meus olhos. Com esse maldito véu, não sou nem ser humano nem besta, não passo de uma afronta ou de um opróbrio que, qual enfermidade, tem de esconder-se. É duro de assumir. Sobretudo para uma antiga advogada, militante da causa feminina. Peço-te que não penses de modo nenhum que estou a fazer cerimónias. Bem gostava de proceder de outro modo, mas ai! o coração já não pode. Não me peças que renuncie ao meu nome, às minhas feições, à cor dos meus olhos e à forma das meus lábios em troca de um passeio pela miséria e a desolação; não me peças que seja menos que uma sombra, um frufru anónimo largado numa galeria hostil. Sabes como  eu sou susceptível, Mohsen; odiar-me-ia por querer-te mal quando procuras apenas agradar-me. "

em As Andorinhas de Cabul, de Yasmina Khadra, págs. 68 e 69

13
Set23

As Andorinhas de Cabul

 

andorinhas.webp

(imagem retirada daqui)

Yasmina Khadra é um autor que descobri no âmbito do desafio do passaporte literário que estou a fazer durante 2023. Depois de ler “A Última Noite de um Tirano” fiquei com curiosidade de ler mais livros deste autor. Numa ida à biblioteca requisitei “As Andorinhas de Cabul” e o livro foi muito além do que esperava depois de ler a sinopse.

Um livro repleto de desespero, numa cidade em que a liberdade e os direitos humanos foram reduzidos a pó. Cabul é uma cidade em que o fundamentalismo religioso domina e os seus habitantes sobrevivem na miséria. As execuções públicas "alimentam" o povo e as mulheres não tem qualquer valor, numa sociedade dominada pelos talibãs.

A história decorre no período em que os talibãs dominam o Afeganistão após a ocupação soviética. Através da escrita de Yasmina Khadra acompanhamos a vida de dois homens e duas mulheres, numa sociedade que não reconhecem, em que as mulheres perderam a liberdade e estão reduzidas ao papel de servirem os homens.

Um pequeno romance que obriga a parar, a respirar fundo e refletir sobre o que faria se vivesse no mesmo contexto das personagens.

Como viver numa sociedade aberta, moderna e de repente perder todas as liberdades, incluindo algo tão simples como ligar o rádio e ouvir música?

Se perdermos a nossa liberdade e os valores humanistas em que acreditamos, será que enlouquecemos lentamente, será que procuramos forma de sobreviver no meio de loucura coletiva ou esta acaba por nos destruir?

Um livro complexo, em que muitas vezes tive de pensar que a história estava a decorrer no final do século XX e não na Idade Média. Infelizmente, a História repete-se e este é um livro muito atual.

Mais um livro que me deixou sem palavras e Yasmina Khadra é um autor que quero continuar a ler.

“Com excepção do da esposa, há anos que Atiq não vê um só rosto de mulher. Aprendeu mesmo a viver sem isso. Para ele, tirando Mussarat, não há senão fantasmas, sem voz nem encantos, que atravessam as ruas sem assombrarem os espíritos; nuvens de andorinhas em estado de decrepitude, azuis ou amarelentas, normalmente descoloridas, várias estações atrasadas, emitindo um som melancólico, quando passam perto dos homens.” (pág. 122)

Boas leituras!

11
Set23

A última noite de um tirano

 

tirano.webp

(imagem retirada daqui)

Esta história começa em Sirta, na Líbia, na noite de 19 para 20 de outubro de 2011, a noite em que Muammar Kadhafi foi morto e capturado.
O coronel Kadhafi governou a Líbia entre 1969 e 2011. Os protestos associados à Primavera Árabe (2011) percorreram vários países do Médio Oriente e do Norte de África com repercussões profundas no equilíbrio político desta área do mundo. Na Líbia eclodiu uma guerra civil e o governo de Kadhafi foi derrubado.

O livro está escrito na primeira pessoa e ao longo de 160 páginas é possível acompanhar as reflexões e memórias de um tirano. Este vê-se como o Irmão Guia que transformou a Líbia e fez tudo o que podia para proteger o seu povo. Refugiado numa casa e em fuga não consegue compreender a revolta do povo.
Um livro pequeno, repleto de de reflexões muito interessantes sobre a forma como os ditadores encaram o seu próprio papel na História.
Não tinha qualquer expectativa sobre este livro e foi escolhido de forma aleatória para a sessão de junho da biblioteca. No entanto, surpreendeu-me e para quem gosta de História recomendo muito a leitura.

"Não sou um ditador!
Sou o vigilante implacável; a loba que protege as crias, com as presas maiores que as goelas; o tigre indomável e cioso que urina nas convenções internacionais para marcar o território. Não sei curvar a espinha nem olhar para o chão quando me atacam de cima. Ando com o nariz bem levantado, com a minha lua cheia à laia de auréola, e espezinho os senhores do mundo e os seus vassalos.
Dizem que sou megalómano.
É falso.
Sou um ser excecional, a providência incarnada que os deuses invejam e soube fazer da sua causa uma religião." (pág. 76)

Boas leituras! 

10
Set23

Setembro

Os dias estão mais curtos e as manhãs mais frescas.

O calendário marca o início de setembro e sinto o ritmo dos dias a mudar. 

Não tenho meses ou épocas do ano favoritas. Gosto dos dias grandes de junho, mas também gosto do aconchego dos serões de inverno com a lareira, as mantas e os livros.

Setembro é o mês do arranque do ano letivo, do regresso à escola e às rotinas e no meu caso marca o arranque de mais um ano. No final do ano civil não faço balanços, nem defino objetivos e intenções para o ano seguinte. A passagem de ano é apenas uma data no calendário.

No entanto, no final de agosto, início de setembro é a altura do ano em que faço alguns balanços e defino novas rotinas. O arranque da escola e o regresso das férias propicia essa reflexão.

Este ano, setembro, marca mesmo o arranque de uma fase nova, com muitos desafios e rotinas diferentes. Será uma etapa diferente, com muitas emoções à mistura, mas quero acreditar que será uma etapa boa.

Setembro sê bem-vindo com todas as expectativas que tenho dentro de mim, os dias mais curtos e as manhãs mais frescas. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Por aí...

Leituras

Wday's bookshelf: read

Torto Arado
A Vida Sem Ti
A Cadela
Máquina de Escrever Sentimentos
Onde crescem os limoeiros
O Sorriso aos Pés da Escada
Um Detalhe Menor
Sem Destino
Mataram a Cotovia
Helena ou o Mar do Verão
Flores
O Avô Tem Uma Borracha na Cabeça
Tahrir Os Dias da Revolução
As Andorinhas de Cabul
Stoner
Mulheres que Compram Flores
O Coração na Boca
Dom Camilo em Moscovo
Gosto de Gostar
Onde o Lobo Espreita


Wday's favorite books »

A ler

O Enigma do Quarto 622

goodreads.com

Desafio 2024

2024 Reading Challenge

2024 Reading Challenge
Wday has read 0 books toward her goal of 30 books.
hide
WOOK - www.wook.pt

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub